Um alpendre é o espaço coberto entre a estrada e a porta. Não é bem a casa, não é bem a rua. É onde se limpam os pés, onde se espera, onde se conversa cinco minutos sem entrar.
Não há arquitectura mais portuguesa nem mais igual em todo o lado. Tem-no a quinta e tem-no a tasca. Tem-no quem tem dinheiro e quem não tem. Ninguém o construiu para impressionar ninguém: construiu-o porque chove, porque o sol bate, porque é preciso um sítio para parar antes de entrar.
É onde se decide.
Um alpendre não é decoração, é estrutura: sem ele o telhado não avança sobre a entrada. Primeiro serve; depois é que pode ser bonito.
É a soleira onde se para antes de entrar — e é a essa palavra, e a esse gesto, que este nome vai buscar tudo.